Você é médico no Brasil e busca financiamento para pesquisa no exterior? O HERO, do iBET, em Portugal, tem orçamento de €154 mil e apoio do CaixaImpulse. O caso mostra como o médico brasileiro pode preparar seu projeto e construir o vínculo institucional para buscar recursos na Europa.

Se você é médico brasileiro e já desenvolve pesquisa em uma universidade, hospital ou centro de pesquisa no Brasil, internacionalizar a carreira pode significar encontrar instituições, infraestrutura e financiamento para dar continuidade ao trabalho que construiu. A questão prática é relacionar seu projeto a um centro de pesquisa e a um instrumento de apoio compatível com o que você pretende desenvolver.
O HERO, do iBET — Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, em Oeiras — ajuda a observar esse caminho. O projeto busca aperfeiçoar a fabricação de vetores utilizados em terapias gênicas. Liderado por Jose Escandell, recebeu apoio do CaixaImpulse Health Innovation 2026, na fase 2. Segundo a ficha oficial do HERO no iBET, o orçamento total é de €154 mil, com execução prevista de 15 de dezembro de 2026 a 14 de dezembro de 2028. [1]
Financiamento para pesquisa: o que o caso HERO viabiliza
O interesse deste caso está na estrutura que sustenta o desenvolvimento: uma instituição de pesquisa, uma liderança com experiência na área e um programa de financiamento para pesquisa e inovação voltado a transformar conhecimento em soluções aplicáveis.
O orçamento de €154 mil refere-se ao HERO, não ao desenvolvimento completo de uma terapia até sua utilização clínica. A ficha não detalha a composição desse total. [1]
O CaixaImpulse oferece financiamento para pesquisa e inovação de até €50 mil na fase 1, €150 mil na fase 2 e €500 mil na fase 3. A progressão depende de avaliação; o apoio acumulado pode alcançar €700 mil ao longo das três etapas. Também há mentoria e formação. Os limites por fase não devem ser confundidos com o orçamento total anunciado pelo iBET. [2]

Quem apresentou a proposta e como se preparou
Escandell já era pesquisador principal do iBET, com trajetória em desenvolvimento de sistemas de produção e engenharia celular. Sua formação inclui Farmácia, mestrado, doutorado e experiência de pós-doutorado em Oxford. [3]
As fontes públicas permitem identificar essa trajetória e a concessão do apoio. Não publicam o dossiê completo, as notas da candidatura ou o parecer que explica por que o HERO foi escolhido. Por isso, não é possível atribuir sua aprovação a um título acadêmico ou a uma característica isolada.
Para quem busca bolsas de pesquisa no exterior ou recursos para um projeto iniciado no Brasil, é importante distinguir os instrumentos: neste caso, o apoio é destinado ao projeto institucional de inovação. O aprendizado para o médico brasileiro é observar o conjunto: experiência pertinente, inserção institucional e um projeto compatível com o financiamento.
Quais condições o programa exigia
Na edição de 2026, a instituição proponente precisava ser pública ou sem fins lucrativos, proprietária ou coproprietária dos resultados a desenvolver, com enquadramento em Portugal ou Espanha. O regulamento contempla também representação permanente nesses países. A liderança precisava de formação superior, e a página do programa exige vínculo e autorização institucional. [2,4]
O apoio tem foco em inovação em saúde: terapêutica, dispositivos médicos, diagnóstico ou saúde digital. Pesquisa básica sem uma aplicação claramente definida para transferência à sociedade não se enquadra nessa chamada. A fase 2 pressupõe prova de conceito validada e necessidade de desenvolvimento adicional. [4]
Na seleção do financiamento para pesquisa, o programa avalia qualidade e originalidade do ativo, necessidade atendida, adequação da equipe, viabilidade da execução e impacto social e de valorização. Portanto, apresentar uma proposta exige organizar tanto a pesquisa quanto as condições de realizá-la. [4]
Como o médico brasileiro pode preparar sua busca de financiamento para pesquisa
Para você, médico brasileiro com pesquisa em andamento, o planejamento pode começar por cinco decisões:
- Definir o resultado a desenvolver. Qual conhecimento, tecnologia ou solução sua pesquisa já produziu e qual é a próxima etapa?
- Identificar a instituição adequada. Que centro português reúne competências e infraestrutura complementares? Qual vínculo poderá sustentar sua participação?
- Organizar a titularidade dos resultados. Se o trabalho começou em uma universidade ou hospital brasileiro, a negociação deve considerar os direitos e responsabilidades dessa instituição.
- Estruturar execução e orçamento. Relacionar atividades, equipe, entregas, prazo e recursos necessários.
- Planejar as qualificações. Incluir o reconhecimento da formação médica e a regularização profissional no percurso de atuação em Portugal; avaliar também o reconhecimento de mestrado e doutorado conforme a função ou candidatura pretendida. [5–6]
Esse roteiro é uma orientação de planejamento, não uma reprodução do formulário nem uma confirmação de elegibilidade individual.

Outros projetos mostram diferentes formas de organização
A lista oficial de resultados de 2026 registra projetos além do HERO que ajudam a compreender a diversidade de temas e arranjos institucionais:
| Projeto selecionado | Organização anunciada | O que observar para planejar sua pesquisa |
|---|---|---|
| Biocatalytic Hubs, voltado à fenilcetonúria | Universidade NOVA de Lisboa, liderança de Tiago Cordeiro, em consórcio com FARM-ID; fase 1 | Como uma proposta reúne competências de instituições diferentes. |
| Abordagem para atingir e degradar mutações oncogênicas | CNIO, liderança de Gonçalo Bernardes, com University of Cambridge e Fundação GIMM; fase 1 | Como instituições de diferentes países participam de um mesmo projeto. |
São exemplos de projetos selecionados, não vagas nem chamadas abertas. Também não são apresentados como equivalentes científicos ao HERO: o ponto comum é o acesso ao mesmo programa de apoio à inovação. [7]
Buscar financiamento para pesquisa exige preparação antecipada
Em 2026, o CaixaImpulse destinou aproximadamente €3,96 milhões a 30 projetos, incluindo sete progressões de projetos já participantes. Entre as 449 novas propostas apresentadas, 23 foram selecionadas, uma taxa de 5,1%. Há recursos e há competição: o enquadramento precisa ser construído antes da submissão. [7]
Se você pesquisa no Brasil e deseja desenvolver sua trajetória em Portugal, comece a construir as condições para apresentar seu trabalho às instituições e aos financiadores adequados. Planeje o reconhecimento das qualificações, organize seu projeto e estabeleça relações com centros de pesquisa. A internacionalização pode ser uma continuidade do que você já construiu, sustentada por um novo ambiente institucional e por instrumentos de financiamento compatíveis.
Para ampliar seu planejamento, leia também Pesquisa médica no exterior: financiamento na Europa e 6 erros que médicos brasileiros cometem ao planejar uma carreira internacional.
Fontes oficiais
Consulta em 2 de novembro de 2026.


